Depois dessa...

Engraçado como a frase "depende do pto de vista" adquire cada vez mais significado conforme se cresce. O mundo infantil é mais preto e branco. As coisas são certas ou erradas. Existem os bons e os maus e se vc for bom, vc vai se dar bem. Mas a visão maniqueísta do mundo dura pouco... ainda mais nos dias de hj. Descobre-se q a área cinzenta é quase absoluta. Q existe o certo, o errado e o q as pessoas fazem, q nem sempre o bem vence.
Eventualmente eu me pego tomado por aquela visão infantil. Qdo isso acontece eu acabo me surpreendendo com minha própria ingenuidade qdo sou chamado de volta à realidade. Em meio às costumeiras bravatas anti-estadounidenses (sim, é difícil não cair na tentação de atacá-los sempre q possível) sobre a incompetência e a má vontade das autoridades com a população negra e pobre de Nova Orleans e arredores me deparei com a chamada dessa coluna do Alcino Leite Neto: "Reconstruir ou não Nova Orleans"
A simples leitura desta chamada me deixou estupefato. Como seria possível alguém chegar a pensar na possibilidade de não reconstruir aquela cidade tão simpática e exótica (sim, eu acho) e as demais? Seria apenas uma piada de mau gosto? Um comentário sobre as palavras inconvenientes oriundos da Senhora Bush-Pai? Li então a coluna. Não satisfeito, tb li o texto escrito pelo editor Jack Shafer na revista eletrônica "Slate" de onde saiu a idéia q à primeira vista parecera tão estapafúrdia, mas q depois de uma leitura despreconceituosa mostrou-se de uma lógica intrigante. Talvez peversa, mas intrigante, certamente.
A lógica diz q Nova Orleans sequer deveria ter existido um dia. E agora q foi parcialmente destruída, não deve ser reconstruída. Pode parecer cruel, mas é a realidade. Ainda não tenho claro em minha mente o qto concordo com isso, mas a lógica não requer meu aval. Difícil imaginar q a toda poderosa humanidade vai se render perante às forças da natureza. Possivelmente isso não aconteça realmente. Talvez no ímpeto de reverter as ondas de críticas crescentes sobre sua atuação, as autoridades se apressem em não só reconstruir a cidade, como fazê-lo melhor e mais seguro. Mas será isso inteligente? Não sei dizer. Acho q lamentarei por Nova Orleans, qualquer q seja a decisão.

Lógico q vc já sabe (e se não sabe ainda, então, tá na hora de ler mais), mas seria um pecado não comentar esse fato q foi idealizado há pouco menos de um ano por este q vos escreve.

Depois de um breve período de férias (pouco mais de 5 meses), resolvi voltar a escrever. Não vou ficar me perdendo em explicações sobre pq parei ou pq voltei. Quero apenas ressaltar uma importante mundança q ocorreu. Eu criei um outro blog... um "blog secreto". Isso pq uma das coisas q sempre me incomodou tanto no Vizinho qto no Residente, era q mais da metade dos posts publicados eram lamentações e queixas sobre o qto minha vida "não me agradava plenamente" (benditos sejam os eufemismos!).
Portanto, é isso. Não vou fazer grande estardalhaço sobre minha volta, pq meus planos costumam dar n'água... independente de eu fazer propaganda deles ou não... mas caso não faça, pelo menos não passo vergonha depois, qdo os abandono. E por falar em vergonha, não posso deixar de citar um trecho de um artigo do Estadão q tem muito a ver com esse sentimento:
"No final do seu pronunciamento, Severino foi aplaudido por um pouco mais de dez pessoas dentre as cerca de 300 presentes (...). Entre os presentes no plenário estava também o vice-presidente do PFL, senador José Jorge (PE), que não prestou atenção ao discurso, mas no final foi cumprimentar Severino. A Agência France Press (AFP) designou um fotógrafo especial para acompanhar Severino. Perguntado pelo motivo, ele disse que era "algo sobre corrupção"."
Só espero, realmente, q eu não seja o único no mundo q não faz a menor idéia de o q está fazendo... ia piorar muito tudo...
Por vezes, na saudosa época de MW, minha ingenuidade me fez defender (sob certas circunstâncias muito especiais - era ingênuo, não estúpido) o regime ditatorial como uma forma válida de se alcançar certos objetivos a curto prazo. Pois é chegado o momento de recordar esses tempos. Recordá-los e pô-los em prática. Estou oficialmente dando um golpe de estado na minha vida. A primeira medida foi decretar estado de sítio com possíveis (e prováveis) cassações de direitos.
Apesar da metáfora "luliana", o caso é sério. Essas últimas semanas foram devastadoras em vários sentidos. Minha já baixa auto-estima (bons tempos de MW), minha esperança, força de vontade, sonhos e ilusões foram gravemente afetados. Estive próximo de desistir de tudo (e eu nem quero imaginar o q significava esse "tudo"). Dias a fio foram perdidos com uma espécie de paralisia, de inércia incômoda e desesperadora.
Pq tudo isso aconteceu assim, de repente? Nem faço idéia. Desconfio q a minha formatura (entenda-se festa, pq o diploma já tava comigo há tempos) teve grande influência. Talvez eu tenha encarado a formatura como final de um ciclo q na verdade não terminou. É complexo, eu sei. Eu mesmo não entendo. Só sei q sofri muito. Fiquei apavorado e confuso, mas isso é assunto pra discutir com minha psico (assim q eu achar uma).
Agora é hora de reparar os prejuízos. Cuidar dos feridos e reconstruir o q foi destruído. Tudo começa com uma pequena mudança semântica no meu imutável e cansativo discurso, q já estou cuidando pra pôr em prática. Não vou mais falar q "preciso tomar uma decisão". A nova frase é: "preciso tomar uma atitude". Essa sutil alteração, junto com algumas outras q pretendo pôr em prática aos poucos, deve produzir um efeito significativo na minha vida. Chega de ficar parado por um tempo sem fim no meio do corredor tentando escolher qual porta abrir primeiro. Nem q para isso eu tenha q começar a confiar na minha sorte (q é inacreditável, diga-se de passagem).
Vou me forçar a situações. Ignorar minhas vontades e desejos e medos e dúvidas e simplesmente fazer o q tenho q fazer. Este vai ser meu verdadeiro desafio. Isso vai definir o q e quem eu vou ser. Passar no vestibular, me formar, fazer mestrado, arranjar emprego... tudo isso eu sei q eu consigo sem ter q mover montanhas. A verdadeira e única batalha vai ser interna. E disso depende se num futuro eu vou estar recebendo um Nobel ou batendo carimbos.
Vamos ignorar o fato de q faz décadas q eu não apareço aqui. Tb ignoremos o fato de q faz tempos q não visito os seus respectivos blogs. Tb não vou lembrar q ultimamente só apareci pra falar de filmes ou de o qto eu estava depressivo. Não vou dizer o qto foi complicado aquele final de ano e nem como esse 2005 começou muito atribulado.
Não vamos lembrar q nem fiz nenhum comentário sobre minha festa de formatura. Nem o qto fiquei feliz por alguns amigos terem viajado até São Carlos por mim. Não vou dizer q a desculpa "técnica" de q meu pc é um lixo não serve mais (
). Nem q meu projeto de mestrado talvez dê certo. Tb não vamos falar de como anda a política internacional, economia ou quais são as previsões para o futuro próximo.
Certo... então vamos falar sobre...
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